Thursday, April 21, 2005

Sincronicidade

Carl Jung (1875-1961), Sincronicidade e o Inconsciente Coletivo
Além de acreditar numa série de noções do oculto e paranormal, Jung contribuiu com duas novas noções na tentativa de estabelecer uma psicologia baseada em crenças pseudocientíficas. Jung acreditava na astrologia, espiritismo, telepatia, telecinética, clarividência e PES.
A sua noção de sincronicidade é que existe um princípio de causalidade que liga acontecimentos que têm um significado similar pela sua coincidência no tempo em vez da sua seqüencialidade.Afirmou haver uma sincronicidade entre a mente e o mundo fenomenológico da percepção. Sincronicidade é um princípio explicatório; explica "coincidências significativas" como uma borboleta entrar a voar num quarto quando o paciente descrevia um sonho com escaravelhos. O escaravelho é um símbolodo antigo Egipto que simboliza o renascer. Portanto, o momento do inseto voador indica que o significado transcendental de quer o escaravelho no sonho, quer a borboleta no quarto, era que o paciente necessitava ser libertado do seu excessivo racionalismo! Na verdade, o paciente precisava ser libertado do seu terapeuta irracional!
Que evidencias existem para a sincronicidade? Nenhumas. A defesa de Jung é tão fraca que hesito em repeti-la. Afirma, por exemplo, "...fenômenos causaisdevem existir... visto as estatísticas só serem possíveis se também existirem exceções" (1973, Letters, 2:426). E "... fatos improváveis existem- senão não existiria média estatística..." (ibid.: 2:374). E, o melhor de tudo, "a premissa da probabilidade postula simultaneamente a existência do improvável" (ibid. : 2:540). Mesmo se existe uma sincronicidade entre a mente e o mundo de tal modo que certas coincidências ressoam com verdades fundamentais, existe ainda o problema de perceber quais são essas verdades. Que guia podemos usar para determinar a correção de uma interpretação? Não existe nenhuma exceto a intuição. O mesmo guia levou Freud à sua interpretação dos sonhos. Do meu ponto de vista, a única coisa que claramente revelam essas interpretações são os colossais egos dos homens que as fazem.
De acordo com Anthony Storr, Jung era um homem doente que se via a si mesmo como um profeta. Jung referiu-se à sua "doença criativa" (entre 1913-1917) como uma confrontação voluntária com o inconsciente. A sua visão era que todos os seus pacientes com mais de 35 anos sofriam de "perda de religião" e ele tinha com que encher as suas vidas vazias: o seu próprio sistema metafísico de arquétipos e a inconsciência coletiva. Em resumo, ele pensou poder substituir a religião com o seu próprio ego e assim trazendo sentido a todos cujas vidas eram vazias e sem significado. Mas a sua "visão" são ilusões e ficções. São inúteis para pessoas saudáveis. É uma metafísica para o ártico.
A sincronicidade fornece acesso aos arquétipos, que se localizam no inconsciente coletivo e caracterizam-se por serem predisposições mentais universais não baseadas na experiência. Como as Formas de Platão (eidos), os arquétipos não se originam no mundo dos sentidos, mas existem independentemente desse mundo e são conhecidos diretamente pela mente. Ao contrário da teoria de Platão, contudo, Jung acreditava que os arquétipos surgiam espontaneamente na mente, especialmente em tempos de crise. Tal como há uma coincidência significativa entre a borboleta e o escaravelho que abre as portas para a verdade transcendental, também uma crise abre as portas do inconsciente coletivo e permite que os arquétipos revelem uma verdade profunda escondida da consciência ordinária. A mitologia, afirma, baseia as suas histórias nos arquétipos. A mitologia é um reservatório das profundas, escondidas verdades. Sonhos e crises psicológicas, febres e perturbações, encontros ao acaso ressoando com "coincidências significativas", tudo são caminhos para o inconsciente coletivo que está pronto a restaurar na psique individual a saúde. Isto é a teoria.


Astrologia
A astrologia, em sua forma tradicional, é um método de adivinhação baseado na teoria de que as posições e movimentos dos corpos celestes (estrelas, planetas, sol e lua), no momento do nascimento, influenciam profundamente a vida da pessoa. Na sua forma psicológica, a astrologia é um tipo de terapia da Nova Era, usada para a autocompreensão e a análise da personalidade. (Este verbete se refere à astrologia tradicional. Consulte astroterapiapara uma discussão da astrologia psicológica.) A forma mais tradicional é a Astrologia de Signos Solares, tipo encontrado em numerosos jornais diários que publicam horóscopos. O horóscopo é um prognóstico astrológico. O termo também é usado para descrever um mapa do zodíaco no momento do nascimento da pessoa. O zodíaco se divide em doze zonas celestes, cada qual recebendo o nome de uma constelação que originalmente coincidia com a zona (Touro, Leão, etc.). Todas as trajetórias aparentes do sol, da lua e dos principais planetas se encaixam dentro do zodíaco. Devido ao movimento da precessão, os pontos de equinócio e solstício se moveram para o oeste cerca de 30 graus nos últimos 2.000 anos. Assim, as constelações zodiacais que receberam seus nomes na antiguidade não correspondem mais aos segmentos do zodíaco representados por seus signos. Em resumo, se você tivesse nascido na mesma hora do mesmo dia do ano há 2.000 anos, teria nascido sob um signo diferente. A astrologia ocidental tradicional pode ser dividida em tropical e sideral. (Astrólogos de tradições não-ocidentais utilizam sistemas diferentes.) O ano tropical, ou solar, é medido em relação ao sol e corresponde ao tempo (365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos) entre equinócios vernais sucessivos. O ano sideral éo tempo (365 dias, 6 horas, 9 minutos e 9,5 segundos) necessário para que a Terra complete uma órbita ao redor do sol relativa às estrelas. O ano sideral é mais longo que o tropical devido à precessão dos equinócios, ou seja, o lento deslocamento para o oeste dos pontos equinociais ao longo do plano da eclíptica, a uma taxa de 50,27 segundos de arco por ano, resultante da precessão do eixo de rotação da Terra. A astrologia sideral utiliza como base a constelação real na qual o sol se localiza no momento do nascimento. A tropical usa um setor de 30 graus do zodíaco como base. Esta é a forma mais popular e baseia suas leituras na época do ano, geralmente ignorando as posições relativas do sol e das constelações entre si. A astrologia sideral é usada por uma minoria de astrólogos e baseia suas leituras nas constelações próximas do sol nomomento do nascimento.
Uma das defesas comuns a favor da astrologia é o argumento falacioso da popularidade e tradição: bilhões de pessoas no mundo acreditam na astrologia e ela tem sobrevivido por milhares de anos. Essas afirmações são verdadeiras, mas irrelevantes como prova da "veracidade" da astrologia. Os antigos caldeus e assírios se envolveram com a adivinhação astrológica há cerca 3.000 anos. Em torno de 450 AEC, os babilônios tinham desenvolvido o zodíaco de 12 signos, mas foram os gregos, do tempo de Alexandre, o grande, até a conquista pelos romanos, que forneceram a maioria dos elementos fundamentais da astrologia moderna. A disseminação das práticas astrológicas foi contida pela ascensão do cristianismo, que enfatizava a intervenção divina e o livre arbítrio. Na renascença, a astrologia recuperou popularidade, em parte devido ao ressurgimento do interesse pela ciência e pela astronomia. Teólogos cristãos, no entanto, combateram a astrologia e, em 1585, o Papa Sisto V a condenou. Na mesma época, os trabalhos de Kepler e outros enfraqueceram os princípios astrológicos.

A astrologia é testável?
Um segundo argumento a favor da astrologia é o de que ela é testável e que há indícios de que os dados apóiem a hipótese de uma conexão causal entre oscorpos celestes e os eventos humanos. Por exemplo, de acordo com o assim chamado Efeito Marte, grandes atletas são natos, não feitos. Essa afirmação é baseada numa análise estatística das datas de nascimento de grandes atletas e a posição de Marte quando nascem. Diz-se que a correlação é maior do que o que se esperaria pelo acaso. Outros discordam e alegam que os indícios não mostram uma correlação que não seria esperada pelo acaso. No entanto, mesmo se houvesse uma correlação significativa entre a posição de Marte na data do nascimento e o fato da pessoa se tornar um atleta excepcional, isso não implicaria ou mesmo indicaria existir uma conexão causal entre a posição de um planeta e o tipo de atividade em que a pessoa se daria bem na Terra. A correlação entre x e y não é uma condição suficiente para a crença racional de que x causa y. Mesmo uma correlação estatisticamente significativa entre x e y não é uma condição suficiente para uma crença racional numa correlação causal, muito menos para a crença de que x causa y. Correlação não prova causalidade.
Embora não prove, a correlação é extremamente atraente para os defensores da astrologia. Por exemplo: "Entre 3.458 soldados, Júpiter éencontrado 703 vezes, nascendo ou culminando quando eles nascem. As leis das probabilidades prevêem que deveriam ser 572. As chances disso acontecer: uma em um milhão" (Gauquelin). Estou disposto a assumir que todos os dados estatísticos que mostram uma correlação significativa entre diversos planetas nascendo, se pondo, culminando, ou o que quer que se possa vê-los fazer, é acurada. No entanto, seria mais surpreendente se entre todos os bilhões e bilhões de movimentos celestes concebíveis não houvesse uma grande parte que pudesse ser significativamente correlacionada com dezenas de eventos em massa ou traços de personalidade individuais. Por exemplo, os defensores da astrologia gostam de observar que 'a duração do ciclo menstrual da mulher corresponde às fases da lua' e que 'os campos gravitacionais do sol e da lua são fortes o bastante para causar a subida ou a descida das marés na Terra.' Se a lua pode afetar as marés, então pode certamente afetar uma pessoa. Mas o que existe de análogo às marés numa pessoa? Somos lembrados de que os seres humanos começam a vida num mar amniótico e de que o corpo humano é 70% água! Se as ostras abrem e fecham as conchas de acordo com as marés, as quais fluem de acordo com as forças eletromagnéticas e gravitacionais do sol e da lua, e se os seres humanos estão cheios de água, não é então óbvio que devam ser influenciados pela lua também? Pode ser óbvio, mas os indícios vindos dos
estudos da lua não confirmam isso.
Os astrólogos dão ênfase à importância das posições do sol, da lua, dos planetas, etc. no instante do nascimento. Mas por que as condições iniciais seriam mais importantes para a personalidade e as características de uma pessoa que todas as condições subseqüentes? Por que seria escolhido como o momento crucial o nascimento, e não a concepção? Por que outras condições iniciais como a saúde da mãe, as condições do local do parto, fórceps, luzes fortes, sala escura, banco traseiro de um automóvel, etc., não seriam mais importantes do que se Marte estáascendendo, descendendo, culminando ou fulminando? Por que o planeta Terra, muito mais próximo de nós no nascimento, não seria considerado uma influência importante no que somos e no que nos tornamos?
Além do Sol e da Lua, e de algum cometa ou asteróide passando ocasionalmente, a maioria dos objetos planetários está demasiado distante de nós. Qualquer influência que pudessem ter sobre o nosso planeta seria encoberta pelas do Sol e da Lua. É muito mais provável que a Terra, e as pessoas e coisas com as quais se tem contato direto, sejam fatores de influência mais importantes nas nossas vidas que distantes corpos celestes. Além disso, se for verdade que podemos determinar efeitos específicos a partir de condições específicas do local do nascimento, então podemos controlar essas condições de forma a trazer resultados benéficos. Por outro lado, mesmo se for verdade que a posição das estrelas e planetas seja mais importante para a vida da pessoa do que um nascimento difícil e passado sob condições horrendas, não há nada que possamos fazer em relação à posição das estrelas, e há um limite no controle que podemos ter sobre o momento do nascimento de uma pessoa. (Ainda bem que não vou ser um astrólogo na era dos bebês de proveta. Como eu iria saber quando o meu cliente 'nasceu'? O processo do nascimento não é instantâneo. Não existe um momento único no qual a pessoa nasce. O fato de que algum funcionário escreva em algum lugar um horário do nascimento é irrelevante. Será que escolhem o momento em que a bolsa se rompe? O momento em que ocorre a primeira dilatação? Quando o primeiro fio de cabelo ou unha do pé aparece? Quando a última unha do péou fio de cabelo ultrapassa o último milímetro da vagina ou da superfície da barriga? Quando se corta o cordão umbilical? Quando se faz a primeira respiração? Ou o momento em que o médico ou a enfermeira olham para um relógio de parede ou de pulso [sem dúvida magicamente livre da possibilidade de imprecisão] para anotar o momento do nascimento?) Ninguém diria que, para que se compreendesse o efeito da lua sobre as marés ou sobre as batatas, fosse preciso entender as condições iniciais da singularidade que precedeu o Big Bang, ou a posição das estrelas no momento em que as batatas foram colhidas. Para que se saiba a respeito da maré baixa de amanhã, não é preciso saber onde estava a lua quando o primeiro oceano ou rio se formou, ou se os oceanos vieram primeiro e a lua depois, ou vice-versa. Condições iniciais são menos importantes que as presentes para que se compreendam efeitos atuais sobre rios e plantas. Se isso vale para marés e plantas, por que não valeria para as pessoas?

Correlação não é causalidade
Esse fascínio pelas correlações também é encontrado no raciocínio dos que tentam transformar todo sítio megalítico antigo em algum tipo de observatório astronômico. Os defensores da astrologia deveriam observar o que Aubrey Burl escreveu a respeito desse tipo de raciocínio.
... são grandes as probabilidades de que ocorra fortuitamente uma boa linha de visão celeste em quase qualquer círculo. Examine-se um sítio como Grey Croft, em Cumberland,... 27,1 x 24,4 m de diâmetro, com doze pedras e uma extra, parece haver tantas linhas e tantos alvos possíveis que seria improvável não descobrir nada (Burl, 50).
Além disso, embora seja verdade que as chances de se passar 20 vezes seguidas num jogo de dados sejam inconcebivelmente baixas, isso já aconteceu. Havendo jogos suficientes, o inconcebível se torna freqüente. Em resumo, o que parece desafiar as "leis" da estatística pode não estar realmente o fazendo, quando se examina com mais cuidado.
Para concluir, há aqueles que defendem a astrologia argumentando com o quanto os horóscopos profissionais acertam. Um colega, professor de história da Universidade da Califórnia em Davis, com título de Ph.D, pratica a astrologia. Naturalmente, possui tecnologia e tem um programa de computador para ajudá-lo a fazer as leituras. Conhece todos os argumentos contra a astrologia e até admite que logicamente ela não deveria funcionar. Mas funciona, acredita ele. Esse conceito de 'funciona' é curioso. O que será que significa?
Basicamente, dizer que a astrologia funciona quer dizer que há muitos consumidores satisfeitos. Não significa que seja precisa na predição do comportamento humano ou de eventos num grau significativamente maior que o da pura sorte. O principal apoio a esse argumento aparece na forma de relatos e
testemunhos. Hámuitos clientes satisfeitos que acreditam que os horóscopos os descrevem com precisão, e que os astrólogos lhes deram bons conselhos. Esse tipo de indício não comprova a astrologia tão bem quanto demonstra os efeitos da leitura a frio, o efeito Forer, e a predisposição para a confirmação. Bons astrólogos dão bons conselhos, mas isso não valida a astrologia. Vários estudos mostraram que as pessoas usam o pensamento seletivo para fazer com que qualquer carta astrológicaque apresentarem a elas se encaixe em suas idéias preconcebidas sobre si mesmas. Muitas das afirmações que são feitas a respeito de signos e personalidades são vagas, e se encaixariam em muitas pessoas de diferentes signos. Atémesmo astrólogos profissionais, a maioria dos quais despreza a Astrologia de Signos Solares, não é capaz de escolher uma leitura de horóscopo correta num índice de acertos maior que o esperado pelo acaso. Mesmo assim, a astrologia continua mantendo a popularidade, apesar de não haver um mínimo de comprovação científica a seu favor. Mesmo a primeira dama dos Estados Unidos, Nancy Reagan, e seu marido Ronald, quando era o líder do mundo livre, consultaram um astrólogo, o que me leva a concluir que os astrólogos têm mais influência que as estrelas.
Será possível que eu seja quem sou devido à posição dos planetas, estrelas, luas, cometas, asteróides, quasares, buracos negros, etc., no momento do meu nascimento? Sim, é possível. Seráque eu tenho alguma razão para achar que isso é mais provável que o oposto, ou seja, de que essas questões sejam insignificantes e irrelevantes para o meu 'destino'? Não. Não consigo encontrar sequer uma única boa razão para acreditar em nada disso. Mas eu sou taurino, e todos sabemos o quão teimoso eu devo ser.


Espiritismo
A crença de que a personalidade humana sobrevive à morte e pode comunicar com os vivos através de um médium sensitivo. O movimento espiritista começou em 1848 no estado de Nova Iorque com as irmãs Fox que afirmavam que os espíritos comunicavam com elas batendo em mesas. Quando as irmãs admitiram a fraude trinta anos mais tarde, havia milhares de médiuns fazendo sessões em que os espíritos entretinham as pessoas fazendo sons, materializando objetos, fazendo luzes brilhar, levitando pessoas e objetos, e outras mágicas. Os médiuns demonstraram toda a panóplia de poderes psíquicos desde clarividência e clariaudiência, a telecinética e telepatia. Acusações repetidas de fraude pouco fizeram para parar o movimento espiritista até aos anos vinte quando mágicos como Houdini expuseram as técnicas e métodos de engano usados pelos médiuns para enganar o mais esperto e santo dos homens.
Qualquer psicólogo iniciante consegue perceber porque o espiritismo foi tão popular. Era a "prova científica" de vida depois da morte! E não envolvia nenhuma das superstições da religião!


Telecinética e psicocinética
Telecinética é o movimento de objetos por meios cientificamente inexplicáveis, como pelo exercício de um poder oculto. Psicocinética é a produção de movimento em objetos físicos pelo exercício de poder mental ou psíquico. Uri Geller afirma dobrar colheres e parar relógios usando o pensamento. Outros afirmam fazer rolar lápis sobre uma mesa como um poder da mente. A variedade de truques de ilusionismo usados é infinita.

PES (Percepção Extra-Sensorial)
A Percepção Extra-Sensorial é aquela que ocorre independentemente da visão, da audição, ou de outros processos sensoriais. Diz-se que as pessoas que têm esse tipo de percepção são paranormais. Ela é comumente chamada de PES, ou ESP, termo cunhado por J.B. Rhine, que iniciou a investigação do fenômeno na Universidade de Duke, em 1927. A PES é relacionada com a telepatia, a clarividência, a precognição, e mais recentemente com a visão remota e a clariaudição. A existência da PES, e de outros poderes paranormais como a telecinese, é questionável, embora a pesquisa experimental sistemática desses fenômenos, conhecidos coletivamente como psi, venha sendo feita por mais de um século na parapsicologia.

O caso a seguir é um exemplo típico dos citados como prova da PES. É incomum apenas por envolver a crença num cão paranormal, em lugar de um ser humano. O animal em questão é um cão da raça terrier que se tornou famoso por ter PES, ao exibir sua capacidade de saber em que momento a dona, Pam Smart, decidia voltar para casa, quando estava fora fazendo compras ou outros afazeres. O nome do cão é Jaytee. Apareceram em vários programas de televisão na Austrália, Estados Unidos e Inglaterra, onde mora com Pam e os pais dela, os primeiros a perceber os poderes paranormais do animal. Observaram que ele corria para a janela que ficava de frente para a rua, precisamente no momento em que Pam, a quilômetros de distância, decidia voltar para casa (não está esclarecido como os pais sabiam qual era o momento exato em que ela decidia voltar para casa). O parapsicólogo Rupert Sheldrake investigou o assunto e declarou o cão um verdadeiro paranormal. Dois cientistas, o Dr. Richard Wiseman e Matthew Smith, da Universidade de Hertfordshire, testaram o animal sob condições controladas. Sincronizaram seus relógios e prepararam câmeras de vídeo focalizando o cão e sua dona. Infelizmente, várias tentativas experimentais depois, concluíram que o cão não fazia o que se alegava. Ele realmente se dirigia para a janela, e o fazia com bastante freqüência, mas em apenas uma das vezes o fez no momento exato em que a dona se preparava para ir para casa. Este caso, no entanto, foi desconsiderado porque ficou claro que o cão estava indo para a janela apósouvir um carro parar do lado de fora da casa. Foram conduzidos quatro experimentos, e os resultados foram publicados no British Journal of Psychology (89:453, 1998).
Grande parte da crença na PES é baseada em eventos aparentemente incomuns que parecem inexplicáveis. No entanto, não deveríamos assumir que todos os eventos do universo pudessem ser explicados. Nem deveríamos assumir que tudo aquilo que é inexplicável exija uma explicação paranormal (ou sobrenatural). Talvez um evento não possa ser explicado porque não há nada a ser explicado. A maior parte das alegações de casos de PES não é testada, mas alguns parapsicólogos têm tentado verificar a existência da PES sob condições controladas. Alguns, como
Charles Tart e Raymond Moody, alegam ter tido sucesso. Outros, como Susan J. Blackmore, alegam que anos de tentativas de encontrar provas experimentais da PES não conseguiram trazer nenhuma prova de poderes paranormais incontroversos e reprodutíveis. Os defensores do Psi alegam que as experiências Ganzfeld, os experimentos da CIA com a visão remota e as tentativas de influenciar geradores de números aleatórios na Pesquisa de Anomalias da Escola de Engenharia de Princeton apresentaram provas da PES. Psicólogos que investigaram meticulosamente os estudos da parapsicologia, como Ray Hyman e Susan Blackmore, concluíram que, onde se encontravam resultados positivos, os trabalhos estavam repletos de fraudes, erros, incompetência e malabarismos estatísticos.


Fonte: brazil.skepdic.com em 12/04/2005

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